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FóRUM ELOS DIALOGA
18-04-2004


*Nesta edição fala-se sobre a língua portuguesa de muitas pátrias

1. Manuel de Sousa Angola Starwalker@netangola.com
Para: drmjbarros@manual-de-fisica.net Cc: Margarida Castro
Tuesday, December 02, 2003 10:10 AM

Então Caríssimo Irmão Amigo Dr. Maurício,

O que acha desta nossa forma de divulgar seu "Nobilíssimo" Projecto Iniciativa da Universidade Privada que, está tentando edificar em Angola!

Este canal, de ora em diante, e como o afirmámos outro dia quando nos encontrámos na Sisitec, fico aberto para mais enriquecimentos e explicações sobre os reais objectivos desta sua futura Universidade, a fim de que possamos ainda mais os outros Prezados eventuais colaboradores e interessados, não do exterior, como do interior, a engrandecer e a contribui para o sucesso pleno de tal boa e utilíssima ventura...

Que Deus esteja sempre do lado dos Justos e dos Bons de Coração, pois, só assim, tudo acontecerá no âmbito de Seu Grandioso Projecto Divino e no âmbito de Seu Conceito de Beleza Criativa...

Paz Profunda
manuel de Sousa (Luanda - Angola)

PS: A Prezada Irmão Amiga Margarida, é uma de nossas principais Mestres Guias, desta tão longa e maravilhosa viagem pelo despertar para a Aurora da Consciência das Coisas Virtuais e Objectivas da Vida, ensinando-nos em muito, a estar bem atentos e concentrados para o som da Evolução ao nosso redor, à medida que percorremos todos juntos, o "Caminho" da Luz e do Conhecimento Efémero que nos transporta para a Eternidade da Unidade do Sêr e do não Sêr...
2. Manuel de Sousa Angola : Starwalker@netangola.com
Cc: drmjbarros@manual-de-fisica.net
Friday, November 28, 2003 8:21 AM

Hoje a Língua Portuguesa não é só a "Minha Pátria" como dizia e muito bem, o Honorável Grande Mestre da Língua e da Palavra Lusófona, o Venerando Fernando Pessoa, mas mais do que isso, Digníssima Irmã Amiga Margarida! Ela extravasou da pequena "Pátria Mental" por que terá sido tomada por ventura por este ou por aquele e por alguns tempos afim, e das mesas onde ainda hoje se serve Sardinha e Bacalhau e se bebe um bom copo de vinho-tinto, e é já há muito, se calhar desde o " "Berço da Nação", a própria Vela de Cristo que levava a frágil Nau cheia de vontades, fés e luzes Cristicas, para o Além-dos-Mares e para o Alem-das-Mentes-das- Civilizações-dos-Tempos, até aos dias que nos chegaram até cá e que chamamos muito frequentemente agora, "Globalização"!...
Ou seja! Ela se calhar saltou logo do "Berço-Nascença" para a "Globalização", sem nunca na verdade ter pertencido a ninguém especificamente ou mesmo, sido alguma vez "Minha Pátria", pois, ela fincou-se como um dos veículos da própria Liberdade de Movimento e Expressão Humanas dos tempos modernos, no fim...e continuará sua aventura pelo futuro, passando pelos dias que correm e pelo privilégio que temos, em tê-la quando sopramos ou balbuciamos algumas palavras, por entre dentes e língua, vinda dos fundos de nosso Âmago e do nosso Sentir...e quiçá, das Profundezas mais Eternas da Alma Divina e Cósmica...
Aqui, a meio deste turvelinho de Pátrias e não Pátrias, temos o grande prazer de introduzir à Digníssima Irmã Amiga Margarida Castro, o Mui Prezado Dr. Maurício J. Barros, "Homem Grande" de grandes causas da Sociedade Angolana e que, gostaríamos de considerar agora como um novíssimo e nobre Amigo Irmão de todos nós, mesmo pelo desígnios que transporta e projecta para o futuro, os quais, serão quanto a nós, mui válidos para o nosso futuro comum e Humano!

Ele tem actualmente em Projecto, já em andamento, até porque já tem o terreno para o efeito, um dos passos mais difíceis actualmente, construir-constituir uma Universidade Privada, cujos detalhes para a sua efectiva criação, estão já certamente em estado muito mais avançados e completos do que poderemos supor ou saber!
No entanto, pelos rápidos pormenores que pudemos fugazmente trocar, pois, já não nos víamos fazia longa data (já nos conhecemos faz muitos anos mesmo), pudemos constatar que o "Objecto" deste Projecto é deveras válido e mui bem intencionado, pois, representa uma mais valia no futuro para o País, cujo ensino Privado-Particular Superior de qualidade reconhecida internacionalmente e com padrões de aceitação e qualidade de norma exigida nos tempos modernos, ainda não existe em Angola, fazendo já imensa falta na formação de quem amiúde ainda recorre ao exterior do País, para obter especialização superior que poderia muito em ser adquirida aqui mesmo, sem que tivesse que deixar a família durante longos anos, etc., para se expor sem necessidade a eventuais e desconhecidas circunstâncias lá fora!

Neste momento já existem Escolas e Colégios Privados por toda a Luanda que (e já existente em outras Cidades do País), conseguem em muito valer à grandiosa demanda (mas de longe, ainda não suprindo essas cada mais vertiginosa e crescente demanda-procura-necessidade que, quase duplica de ano para ano, pois, cada vez há mais alunos incorporados-inseridos no Ensino a todos os Níveis e por todo o País) o Ensino Geral, Secundário e Pré-Universitário, em complemento ao Ensino Oficial Estatal que, há muito já deixa largos milhares fora do sistema de ensino, e isto, é ainda mais alarmante, quando se olha para o Ensino ou Formação Técnica Superiores, ainda grandemente, monopólios do Estado, apesar de já existirem algumas iniciativas ditas particulares, como sendo as ainda muito caras e quase inacessíveis Universidades-Institutos Superiores, Católica, Lusíada, Piaget, ISPRA (Instituto Superior de Saúde Pública), e que apesar disso junto com a Universidade e os Institutos Públicos-Estatais, estão a abarrotar pelas costuras, não havendo espaço para uma simples agulha!
Esta nossa sintetizada introdução de nosso Mui Estimado Amigo Irmão Maurício, tem não só o sincero intuito de chamar atenção para a potencialidade neste campo do Ensino em Angola, como para servir de chamamento a eventuais interessados em se lhe aliar e juntar, incentivando desta forma a mais uma ária de potencial valor investido, pois, investir na Cultura e na Formação Intelectual e Formativa do Homem Novo de Angola, é também investir no Futuro e num retorno valioso do mesmo, assim como, no engrandecimento da própria satisfação e realização ao nível pessoal, particular e Humano. de todos os que se quiserem, de bom grado, envolver em tal Nobilíssima Ventura...
Que Deus nos ajude a todos com Sua forte Iluminação Inspiradora, pois, nos prepara assim melhor, para construir grandes Edifícios de Utilidade Humana...

Paz Profunda
manuel de Sousa(Luanda - Angola)

3. Jaime do Porto jaim@sapo.pt
Wednesday, November 26, 2003 9:45 AM
Fonte: www.oprimeirodejaneiro.pt

A minha pátria é a língua portuguesa Urda Alice Klueger
Estava a lembrar-me de um trem onde viajei uma vez, um trem que, num período de 24 horas, levou-me de Paris a Lisboa. Eu estava tão ansiosa para ir para a terra de Cabral e de Pero Vaz de Caminha, que acordei-me absurdamente cedo em Paris, creio que lá pelas cinco da manhã, quando o trem saía às dez. Fiquei morcegando no hotel, lá na Rive Gouche, espiando a manhã clara e cheia de sol já assim tão cedo (era final de Maio). Uma infinita hora acabou passando, e então pensei: "O que é que estou fazendo aqui? Por que é que não vou de vez para a estação?" E pelas seis e pouco da manhã saí do hotel, puxei minha mala até o metrô, e logo logo estava na Gare, creio que de Austerlitz, já não lembro mais.
O que me levava tão cedo para a estação, para esperar lá durante umas quatro horas? Sem dúvida a coisa principal era a esperança de poder falar português. Fazia um mês que eu não falava português, tirando uns dois ou três turistas brasileiros que tinha encontrado durante aquele tempo, e uns rapazes portugueses que me reconheceram como brasileira por causa de uma camisa de Seleção, que eu usava, mas eram rapazes muito novos e acanhados, e que logo caíram fora, decerto embaraçados diante daquela brasileira que queria que eles falassem e falassem.
Então, antes das sete da manhã, estava na estação, e tomei um leite quente, e comi um croissante, aquela coisa sem graça que os franceses comem de manhã com uma geleiazinha, e fui me informar onde encostaria o trem que iria para Portugal. Num instante estava lá, assim antes das sete da manhã, e quem encontro? Nada menos que três portugueses, pai, mãe e filho, que estavam a chegar da Alemanha, e que tinham "encalhado" assim tão cedo também na estação. Eram poucos reservados, mas responderam ao meu "bom dia" dizendo: - Bom Dia!
E aquilo era música da melhor qualidade nos meus ouvidos saudosos da língua de Camões e de Érico Veríssimo!
Aos poucos, os portugueses foram chegando, e a maioria se encantava por saber que teriam uma brasileira a bordo. Quando, afinal, o trem chegou, e partimos, eu já tinha falado e ouvido português ininterruptamente durante mais de duas horas, e falaria português durante 22 das 24 horas seguintes, que um pouquinho eu tive que dormir, para chegar viva a Lisboa.
"A minha pátria é e língua portuguesa", disse Fernando Pessoa, e como é verdadeira tal afirmação! Eu me deleitei naquele trem que atravessou, entre outras coisas, o Vale do Loire e uma parte da pedregosa Espanha, falando as maiores abobrinhas, falando tudo o que os portugueses quisessem inventando, inclusive, finais para as novelas brasileiras que eles estavam vendo, mas que eu não vira - foi um nunca acabar de falar. E de ouvir, principalmente a velhos portugueses que contavam histórias dos tempos da ditadura de Salazar e de Franco, de como ficava difícil viajar-se para França então, de como eram revistados, e de como o trem daquela época era moroso e lento, a ponto de dar tempo de eles saltarem no começo das longas curvas, atravessarem a pé por dentro de vinh edos, em linha reta, colher todas as uvas que queriam, e de novo entrarem no trem lá no final da curva. E as recatadas portuguesas ouviam-me e ouviam aos seus compatriotas segurando no colo, comportadamente, cestinhos de vime onde traziam a merenda para a viagem, elas que eram européias, gente ainda não muito afeita aos sacos e sacolas de plástico, como nós, americanos. Normalmente, espiava para fora daquelas cestinhas o gargalo de uma garrafa de vinho, e quando era hora de comer, as pessoas o faziam acompanhando a comida com vinho, e então minha orgia parladora ficava ainda melhor, pois o vinho fazia com que os portugueses ficassem ainda mais desejosos de contar coisas, e nunca eu soube com tanta força, na vida, que "a minha pátria é" mesmo, "a língua portuguesa!"

O surgimento do Brasil como Estado e Nação Adelto Gonçalves

Para discutir o complexo processo que resultou na formação do Estado nacional brasileiro, historiadores reuniram-se em setembro de 2001 na Universidade de São Paulo (USP) para o seminário Brasil: a Formação do Estado e de Nação (1780-1850). O resultado sai agora numa edição conjunta da Editora Hucitec, de São Paulo, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Editora Unijuí, do Rio Grande do Sul, com 26 ensaios apresentados no seminário.
Na apresentação o professor Istvan Jancsó, da USP, organizador do seminário e da edição, destaca a dificuldade que foi criar uma nação na América, já que não existiam à época da separação do Brasil de Portugal "nem burguesias em busca de hegemonia no interior de formações sociais identificadas com as nações prefigurando mercados nacionais nem nobrezas ameaçadas em suas liberdades tradicionais".
O professor Geraldo Mártires Coelho, da Universidade Federal do Pará, em "Onde fica a corte do senhor Imperador?", lembra que, em 1822, a balança comercial entre o Grão-Pará e Portugal era favorável às exportações paraenses, explicando que seria muito mais interessante para a província manter os vínculos com Lisboa. Até porque em termos geográficos, a posição do Grão-Pará relativamente às correntes marítimas tornava as viagens para Lisboa regulares e mais rápidas do que para o Rio de Janeiro, o que, politicamente observado, acentuava o isolamento da província em relação ao governo de D.Pedro.
As relações entre Portugal, especialmente a região Norte, e o Pará sempre foram mais intensas do que entre o Pará e o Rio de Janeiro. E assim permaneceram por muito tempo, mesmo depois da separação. (Lembro-me que, certa vez, ao pesquisar no Arquivo Geral da Universidade de Coimbra, deparei-me com o jornal O Progresso, de Paços de Ferreira, de 7/3/1909, em que constatei que meu avô paterno Joaquim Coelho Gonçalves, do lugar de Peias, abria uma subscrição em favor de um amigo que da freguesia de Carvalhosa mudara para o Pará e lá morrera).
O historiador paraense lembra que, além das relações comercias e afetivas entre as duas regiões, havia a questão política: desde 1921, quando o paraense Filipe Patroni trouxera de Portugal as novas do constitucionalismo vintista, depois de estudar em Coimbra, um confronto aberto instalou-se entre aqueles que estavam sob a influência das Luzes e os representantes das formas antigas de poder oriundos dos quadros da velha capitania.
Patroni lançou o jornal O Paraense em maio de 1822 e, ao final daquele ano, quando chegou ao Grão-Pará a notícia da separação, a estratégia política seguida pelas lideranças locais era em torno de um apoio ao Reino Unido, com a esperança de que as Cortes de Lisboa delegassem o poder a alguém ilustrado que combatesse o despotismo e a tirania que vinham do absolutismo monárquico.
Como se sabe, nada disso deu certo porque a separação no Brasil representou o último vagido do absolutismo monárquico, a maneira que os áulicos do regime ditatorial encontraram para garantir sua permanência no poder, José Bonifácio à frente, embora curiosamente fosse um pensador iluminista. Dessa maneira, a incorporação do Grão-Pará ao Império nascente veio de cima para baixo. Em agosto de 1823, uma junta de governo, pressionada por um emissário do almirante Cochrane, que já havia sido responsável pelo curvar-se do Maranhão ao governo central do Rio de Janeiro, entregou os pontos ao novo imperador.
Inaugurava-se assim uma conhecida prática que vem sendo observada desde então pelas elites brasileiras: mudar de vez em quando para que tudo continue na mesma, como se vê agora no governo Lula. De fato, a estrutura do poder no Grã-Pará pouco mudaria porque, como observa Mártires Coelho, seria garantida a preservação das antigas estruturas de dominação colonial, o aparelho militar permaneceria nas mãos da oficialidade lusitana e os senhores do colonialismo continuariam a ocupar os espaços do poder.
Portugal, com D. João reinando, mas sem mandar, em meio ao tumulto das mudanças políticas e egresso de uma época de desorganização do Estado, ainda que quisesse, pouco poderia fazer para tentar impedir que o recém-fundado Estado brasileiro consumasse o seu ordenamento político-militar. Nem se pode imaginar que poderia pensar em lutar contra o próprio filho, não fosse a construção de uma nação na América uma estratégia política de sobrevivência da Casa de Bragança, imaginada e articulada pelo seu mais talentoso ministro, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, o conde de Linhares.
Em outro ensaio, a professora Íris Kantor, da Universidade de São Paulo, reconstitui as desventuras que sofreu o conselheiro ultramarino e desembargador José Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho que, em 1758, fora para a Bahia como enviado especial do ministro José Sebastião de Carvalho e Melo para expulsar os jesuítas, depois de ter participado como escrivão da devassa aberta para apurar os desmandos da chamada Revolta dos Borrachos ocorrida no Porto no ano anterior.
Ao que parece sem o aval do secretario do rei, o conselheiro ultramarino tomou a iniciativa de reunir as elites baianas para fundar uma academia de história. Essa instituição de breve vida, a Academia Brasílica dos Renascidos, viria a ter entre os seus sócios correspondentes, o poeta mineiro Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), que a essa época já havia retornado de Coimbra, onde tivera como colega na Faculdade de Cânones José Luís Soares de Barbosa, que seria pai do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805).
Quem também andava na Bahia a essa época era o desembargador João Bernardo Gonzaga, intendente do ouro, que, embora apreciasse as "letras amenas", não foi convidado a participar da Academia ou, se o foi, prudentemente, manteve-se à distância. O desembargador era pai do futuro poeta Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), que, rapaz de 14 anos, lá estava em sua companhia. Ao se constatar isso, a sensação que se tem é que àquela época o mundo luso era extremamente pequeno, quase uma aldeia, embora estivesse espalhado pelos quatro cantos do planeta.
Em seu trabalho, Íris Kantor procura levantar as motivações subjacentes à decisão de Mascarenhas de criar a Academia e, em seguida, à decisão pombalina de fechá-la e mandar prender seu idealizador. Aos 38 anos, Mascarenhas, cujo pai era baiano e fora responsável pela devassa da Revolta dos Borrachos, era um homem afinado com as elites locais.
Dos estatutos da Academia, como observa a historiadora, havia a percepção entre ser "português americano" e "ser português europeu", embora os acadêmicos deixassem claro o seu desejo de "servir à Pátria". Os membros da Academia pretendiam escrever uma "história universal de toda a nossa América portuguesa" para que fosse possível perpetuar a memória dos vassalos mais beneméritos naqueles 250 anos de colonização.
Quando Mascarenhas convidou o capitão-tenente da Armada Real Francesa ancorada no porto da Bahia para participar da Academia, o vice-rei D. Marcos de Noronha enviou correspondência ao Conselho Ultramarino criticando a "estreita amizade" entre os dois. Também acusava Mascarenhas de colaboracionismo naquela pesada conjuntura da Guerra dos Sete Anos (1756-1763) em que Portugal tinha permanecido aliado da Inglaterra, contra a França e a Espanha.
O desfecho da história do conselheiro é sobejamente conhecido: cinco meses depois da fundação da Academia, Pombal mandaria que Mascarenhas fosse "sepultado em vida" no presídio da ilha de Santa Catarina. Especula-se que Mascarenhas, além da tentativa de parceria com franceses aportados na Bahia, ainda procurara uma conciliação com os jesuítas ou fora demasiado brando com os religiosos.
Outro ensaio imperdível é o de professora Iara Lis Schiavinatto, da Universidade Estadual de Campinas, "Imagens do Brasil: entre a natureza e a História" em que autora, que já nos dera o livro Pátria Coroada; o Brasil como corpo político autônomo -1780-1831 (São Paulo, Edunesp, 1999), discute as chamadas viagens filosóficas do século XVIII que mais eram empreendimentos do Estado português para apreender e entender o vasto território brasileiro, suas gentes, fauna e flora.
Destas e das demais reflexões reunidas por Istvan Jancsó o que se infere é que o marquês de Pombal, apesar das acusações sempre procedentes sobre a origem ilícita de sua fortuna, foi mesmo um estadista à frente de seu tempo, pelo menos em sua intenção de integrar no Estado português na América seus bárbaros habitantes internos (os pobres e escravos) ou externos (os índios). Não teve êxito a princípio porque o Estado português só conseguiu incorporar pequenas parcelas da população proprietária, os grandes traficantes de escravos e os donos de terras, além de uma camada menos rica que se aninhou na estrutura jurídica e no funcionalismo régio.
Mas, a rigor, até hoje o Estado brasileiro tem fracassado em sua missão de incluir grandes camadas da população no mercado, sem lhes permitir que conheçam e tenham direitos civis. Os marginalizados do Estado, cujo número tem dramaticamente crescido nos últimos anos nas grandes cidades, são o grande desafio do Brasil no século XXI.____________________________

BRASIL: FORMAÇÃO DO ESTADO E DA NAÇÃO, de István Jancsó (organizador). São Paulo, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)/Editora Hucitec/Editora Unijuí. 2003, 703 págs. E-mails: lerereler@terra.com.br editora@unijui.tche.br

* Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo, autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2003) e Bocage - o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br


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