Iclas - Instituto de Culturas Lusófonas
Antonio Borges Sampaio


01-04-2007

Religiões Afro Brasileiras II Nádia S Chaia


Esta a 2 ª parte do estudo de Nádia sobre as religiões afro-brasileiras.

Em Angola – Cangundu – Espírito de branco ordinário
( Segundo Aurélio – 3. inferior, de má qualidade; 4. de baixa condição,
baixo, grosseiro, mal-educado)

No Brasil – Falange de “Malandros” – Espíritos em geral de brancos ou
mulatos que, em vida, eram jogadores de baralho, sambistas (na época em que
eram perseguidos pela polícia), capoeiristas, bicheiros, boêmios, etc.
Apresentam-se com denominações as mais diversas, tais como: Carioquinha,
João Malandro, Zé Pelintra (são vários os Zés, o da Estrada, da Ladeira,
depende do caminho por onde venha) e muitos outros.
Há uma cantiga de malandros que bem mostra como são, diz assim:

“Quando desço a ladeira de manhã,
a “nega” pensa que vou trabalhar.
Eu levo meu baralho no bolso,
Meu cachecol no pescoço
E vou pra “Barão de Mauá”.

Trabalhar, trabalhar,
Trabalhar pra que?
Se eu trabalhar
Eu vou morrer”.

Obs: A “ladeira” referida é a do bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro.
Diz a lenda que Zé viveu lá.
“nega” – maneira carinhosa de se referir à companheira, expressão
muito usual no Brasil.
“Barão de Mauá” – nome de uma praça no cais do porto, Rio de
Janeiro, local muito freqüentado por prostitutas, jogadores e rufiões.

Em Angola – Sereia – Espírito da água, não fala.

No Brasil – Falange dos espíritos das águas doces ou salgadas, não falam,
soltam de quando em quando um som nasalado que faz lembrar um choro meio que
abafado.

Em Angola – Diculo – espírito que, na vida terrena, atingiu idade avançada.

No Brasil – Pretos- velhos – podem ser femininos ou masculinos. São
espíritos de antigos escravos que aqui viveram; carinhosos no falar, são
bons conselheiros e rezadores; apresentam-se sob diversos nomes, tais como:
Pai Malaquias, Vovó Joana, Vovó Maria Redonda, Vovó Cambinda, Pai José de
Angola, Pai Miguel de Angola, Pai Arruda, Pai Joaquim d’Angola, Vovó Maria
Baiana, Vovó Benedita, etc. Anchegar, em geral, saúdam os presentes com a
exclamação: “louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”, em alusão à conversão
a que foram submetidos quando escravos. São excelentes contadores de
histórias.
Fazem, também, em seus pontos típicos (todos os cânticos rituais da Umbanda
são chamados de “pontos”), muitas referências a Nossa Senhora do Rosário,
São Benedito, Santo Antônio de Lisboa e ao Senhor do Bonfim uma vez que,
ainda escravos, fundaram ordens religiosas que freqüentavam e onde
“praticavam o catolicismo” ou, pelo menos, era essa a idéia que queriam
passar, pois nessas ordens é que as contribuições eram arrecadadas e juntas
para a compra de cartas de alforria.
Há um ponto, cujo ritmo faz lembrar um lamento, que diz assim:

“Meu Deus do céu
Que dia é hoje?
Nossa Senhora do Rosário...
Mas ai meu Deus
Que dia é hoje?
Nossa Senhora do Rosário...”

Retirado do grupo de diálogos : br.groups.yahoo.com/group/dialogos_lusofonos/