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PERSONAGENS SILENCIADAS E A ESCRITA DA HISTóRIA DE ANGOLA POR ANA LúCIA Sá
22-10-2008


Arquivo Histórico Ultramarino

 

Escravo  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conferencista: Ana Lúcia Sá
(Univ. Beira Interior)
 


Comentador: Inácio Rebelo de Andrade
(Univ. Lusófona de Humanidades e Tecnologia)
 


 

Resumo: De que forma uma personagem sem voz e sem direito a ela num quadro de hegemonias diversas se implica na escrita da história de um país?
Uma possível resposta, além de outras mais canónicas no que respeita à disciplina da História, advém da especificidade do discurso literário. Este permite ultrapassar as barreiras da historiografia que relata as elites vitoriosas. Desta forma, os escritores inscrevem a sua palavra à margem do discurso oficial e abrangem a história de “anónimos”, daqueles a quem E. Wolf denominou como “a gente sem história”, também activos no processo histórico.
Em Angola, a escrita literária da história deslocalizada de um centro preponderante transforma escravos em testemunhas transmissoras de factos vividos e observados, releva cartas de ambaquistas como meio de reclamação do direito à terra dos “filhos do país” ou faz ecoar as vozes dos contratados. E já não no sentido da composição de um contradiscurso, mas da afirmação de um discurso que abandona o silêncio a que era votado.


 

Ana Lúcia Sá: Mestre em Estudos Africanos pela Universidade do Porto e Doutoranda na Universidade da Beira Interior, sob a orientação dos Professores Doutores Salvato Trigo e José Carlos Venâncio e na qualidade de bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Investigadora do UBI_CES (Centro de Estudos Sociais da Universidade da Beira Interior) e do CEIBA (Centro de Estudos Internacionais de Biologia e Antropologia, com sede em Vic, Espanha).
Publicou A Confluência do Tradicional e do Moderno na Obra de Uanhenga Xitu (Luanda, União dos Escritores Angolanos, 2005), prefácios a obras de escritores angolanos e artigos sobre África em obras colectivas, no âmbito da antropologia e da sociologia da literatura.Membro da Comissão Organizadora do V Congresso de Estudos Africanos no Mundo Ibérico, realizado na Universidade da Beira Interior, de 4 a 6 de Maio de 2006, de cujas Actas é co-organizadora (com José Carlos Venâncio).
Membro do Conselho de Redacção da revista Oráfrica: Revista de Oralidad Africana, publicada em Espanha.
Em Angola, foi jurada em prémios atribuídos em concursos literários promovidos pela União dos Escritores Angolanos e é Membro Honorária dessa instituição. 
 

2008-10-22

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